quinta-feira, 16 de agosto de 2007

D(P)écima...

Hoje, quero soltar o morcego dessa minha caverna, que de dois anos pra cá, anda parada para reforma, vazia e fria.
Ouço a voz dos meus pais pelo telefone. A vozinha fina da sobrinha, minha irmã com o sotaque forte que sempre teve... (já choro), que vontade de trazê-los comigo!
Ah, dói a cada lágrima e lembrança. Quero ficar junto mais uma vez, como na infância! Não que eu não possa. Mas à distância prolongada dá a sensação de nunca mais.
Acho que estou passando por alguma crise. Agora é ruim, depois tomo consciência de que a crise é o primeiro golpe contra o que está ruim. E então, melhora-se! (a consciência em mim existe há muito tempo, pelo menos isso).
Estou sentindo algo reprimido em mim. Olho no espelho e percebo meu corpo físico diferente, paro para ver o que há em mente e vejo coisas diferentes. O mundo de pessoas malucas não aceita nada diferente, sem saber que o mundo só é mundo por suas diferenças.
Lembro-me dos chicletes grudados no chão do Terminal Santo Antônio. Do trem passando enquanto espero o semáforo “abrir”, na Praça do Trujillo, onde eu comia muito o lanche do “tipo do carrinho” ou o churrasquinho na outra esquina. O Bora-Bora, barzinho que comemorei o fim do colegial e o primeiro ano da faculdade. Shows no Recreativo Campestre e piscinas com sol a pino. As músicas favoritas da minha irmã, quando ela era obrigada a me levar nas Domingueiras da Factory. Pub todo Sábado no Campola, e depois Pub toda Sexta na Marginal. Posto do Campolim com carros, vinhos escondidos, amigos mais velhos. Bicicleta rosa na Rua Noruega. Caí tanto ali, que os joelhos se acostumaram com o álcool e “algodão” da árvore, que não lembro o nome. Histórias do vizinho que tinha jeep e adorava ufologia. Brincar de polícia-e-ladrão no terreno abandonado (já grandinha, talvez 18 anos Rs*). Quarto todo escrito nas paredes. Rede na varanda e balanço no quintal pertinho da churrasqueira de “tijolinhos à vista”. Chão vermelho e preto na sala antiga. Ardósia no casarão.
Lembro-me quando pegava ônibus para a escola, com minha irmã. E íamos até o ponto final para ficar se pendurando nos ferros enquanto o ônibus aguardava a hora para sair. A motorista era amiga e esqueci seu nome!
As árvores da General Carneiro sendo derrubadas e eu quase sendo presa, xingando todo mundo, protestando com o Alexandre Cinnach. As fotos do MST. As fotos dos bolos de aniversário com camadas e etecéteras, que minha mãe fazia. A cozinha com fanta laranja, sentada no chão amarelo da sala na casa da avó, onde tinha doceria. Eu mordi 2 vezes o dedo gordinho da prima Fernanda, sentada na escada em caracol – ferro chumbo. O tio Nego sentado no sofá me ensinando a soltar peão.
Meus sonhos da infância e cinzeiros de sabonete. Colar de macarrão. O cachorro azul da turma da Mônica, desenhado em cima da cama dos meus pais – presente ué! Rs*
Ovos de páscoa que mudavam de lugar, papai-noel no céu e barbye e Ken na cama. Pônei rosa!
Amo minha família, cara. (to chorando de novo)
Agora, olho a cidade sem nenhum cúmplice e sigo a pé a estrada para a monografia.
Deixe-me ver... Tenho uma cobra de 1.70m (pelúcia) para dormi comigo e 3 cactos na janela.
Logo, termino a faculdade e minha preocupação de hoje é: Será que vou me adaptar? Quero fazer parte do Novo Jornalista, porque “claro”, não funciona dentro de casa. Incrível!
Vou dormir e sonhar. E com 35 anos, escreverei que me lembro desses sonhos.

11 comentários:

inominável disse...

lindo... e obrigada por teres voltado... podemos continuar com as espreitadelas...

Claudia Sousa Dias disse...

Dormes enrolada numa cobra, é?!


(que espectáculo!)


CSD

cristina disse...

nossa! q lembranças boas e as ruins? KD?.....ahaha
tb me lembro mto da ksa onde moravámos, era td de bom, ainda bem q éramos felizes e sabíamos..bjs te amo mto

Jonas disse...

Tô passando aqui pra te dar um oi... Entendo as coisas que você escreveu, apesar se senti-las em proporção menor.
Bem, não gosto de dizer a ninguem o que deve ser feito, nem vou ficar te ensinando a aceitar a vida como se tudo isso fosse uma fase.
Você já sabe disso, mas quando precisar de um amigo pra conversar (sem ser por e-mails hehehehe) pode contar comigo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Comunicar é abrir a nossa janela para o mundo e desbravar ideias e sentimentos nas mais diferentes paragens. Foi comunicando que eu cheguei aqui. Parei e gostei.Porque este é o mundo de alguém que tem uma grande interioridade e um olhar reflexivo sobre as coisas.Vou continuando a espreitar por esta janela para descobrir mais deste mundo com que nos presenteias.

Cristiane disse...

Que nostalgia,Carol! Só se sente falta do que foi bom.Tuas lembranças e a forma como lidas com elas te tornam única. Nunca encontraremos alguém que seja cúmplice em tudo. Apenas alguns que nos acompanham em fragmentos da vida.
Como diz uma canção:"Cada um sabe a dor e a beleza de ser o que é".
Gosto de te ler. Se cuida moça.

Helder Hortta disse...

CaroOL, bota pra quebrar.

abração

Arion disse...

Gosto. Voltarei! Beijo!

MM disse...

" a crise é o primeiro golpe contra o que está ruim "

...é verdade mesmo, e quanto a consciência também...
beijos

MM disse...

"a crise é o primeiro golpe contra o que está ruim"
...é verdade mesmo, e quanto a consciência também...
beijos
Mari Montenegro

MM disse...

i, foi postado duas vezes! tudo bem, é verdade mesmo...