sexta-feira, 9 de junho de 2017

A doença invisível aos ignorantes

Essa madrugada foi muito difícil! Bem diferente da madrugada passada que dormi bem e acordei cheia de energia para pegar ônibus e sair com meu filho, mesmo estando com síndrome do pânico e tendo sensação de morte quando entro em lugar com muita gente.
Essa madrugada fiquei observando meus pensamentos e não pareciam meus. Eu comecei a chorar, sentada sozinha na cama, e por alguns segundos eu tentava não pensar naquilo tudo, tentava pensar em outra coisa, mas no fim voltava aquele medo, ansiedade, insônia intensa e sofrida.
Eu juro que tento não sofrer! Porque sempre ouvi que sofrimento é opção é acreditava nisso. Muito fácil quando não tem depressão e ansiedade.
As pessoas olham e julgam muito, mas você está linda, seu filho está saudável e esperto, você tem casa e comida, roupas... Então, porque ainda está assim? Eu não sei! Eu não escolho ter insônia ou acordar e ficar triste o dia todo. Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim. Eu era muito alegre, uma palhaça, fazendo arte, roupa colorida, cheia de atividades, sonhando alto...
Tem fatos que mudam a nossa vida pra sempre, e sou realmente grata por tudo o que conquistei, e até pelos obstáculos que preciso vencer para a minha evolução.
Mas a maioria dos dias eu só preciso de um abraço! E acreditem... É mais fácil ganhar dinheiro de alguém do que um abraço de conforto. Um abraço que te mostre que apesar dessa merda  toda, você ainda tem valor para alguém.

domingo, 3 de julho de 2016

I Simpósio sobre Saúde da Mulher - Pré Natal e Depressão Pós Parto

Olá, pessoal
Sei que estou bem sumida. Mas é bem verdade que ser Mãe muda a vida da gente, em tudo, todos os setores, e principalmente no Ser Mulher. Um dia li, que ao nascer um filho, nasce uma mãe, e é real. Também li que há um luto sobre a mulher que existia em mim, antes de ser mãe, e é verdade. Só não sabia que o luto duraria tanto tempo.
Ontem, participei do I Simpósio sobre a Saúde da Mulher, aqui na minha cidade natal, e fiquei sabendo um pouco mais do que já publicaram na internet, e eu tenha encontrado até hoje. E foi bem difícil perceber que só tinha eu de mãe, com um bebê no colo, participando de palestras que na verdade o público alvo foi mais para profissionais da saúde.
Estou tomando Equilid, já tem cinco meses, meu filho fará nove meses em poucos dias, e ainda me sinto em cacos. Deprimida, cansada, exausta, sozinha, abandonada, e culpada por tudo isso. Há muita culpa numa depressão pós parto.
Não sinto a culpa porque a sociedade exige que eu esteja feliz, nem pelos comentários infelizes de parentes bem próximos sobre eu estar "desleixada depois que tive bebê", ou comentários do tipo "ser mãe é padecer no paraíso", detesto essa frase! Ser mãe é padecer como mulher? Ser mãe é ir para o paraíso de poder ficar com um bebê no colo, estando doente? Sei lá, essa frase é horripilante!
Ter depressão durante a gestação foi uma etapa difícil, porque eu não tinha certeza de nada sobre ser mãe, esposa e dona de casa. Mesmo que a mãe opte por sair trabalhar, e dar mamadeira pra criança, essa nunca foi uma opção para mim, nem cabe nos meus pensamentos essa opção, não acho boa e pronto. Cada um com seu cada um.
Hoje, resolvi escrever aqui, porque nos meus devaneios, acredito que alguém deva estar passando por algo parecido. Depois de meses tomando esse antidepressivo, muito recomendado para lactantes, continuo na depressão. E pior, fiquei uma semana sem tomar, porque não tinha nas farmácias da cidade, e por fim tive um surto. Uma crise de pânico, misturado com pensamentos medonhos de suicídio e violência gratuita, sem explicação alguma.
Como vou ao SUS, quem me receitou foi o meu ginecologista de anos, e não tenho acompanhamento nenhum médico, simplesmente tomo um por dia ao acordar e boas. Mas agora que fiquei sem por uma semana, e foi um pesadelo total, pra mim, pra minha mãe que precisou vir me socorrer pro meu companheiro poder sair trabalhar, e pra ele que tem o compromisso com o capitalismo pra gente continuar a comer, e foi com o coração na mão com medo do que pudesse acontecer não estando junto de sua família, e principalmente perto do filho de oito meses com uma mãe surtada por causa de depressão e falta do Equilid.
Não consigo achar uma solução. Vou procurar o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) amanhã e tentar um tratamento mais de perto, já passou da hora de alguém me acolher. Estou doente desde o primeiro mês da gestação e agora as coisas pioraram significativamente, tenho medo.
Precisamos de mais profissionais dando apoio às mães, e principalmente à integridade das famílias.
Como deixar de tomar um antidepressivo? Como buscar ajuda se as pessoas não têm consciência da gravidade de uma depressão no pré-natal e no pós parto? Como não deixar que isso tudo influencie na vida do meu amado filho?
Tenho tantas dúvidas, tanta insegurança aqui sendo carregada o tempo todo comigo, a bagagem está imensa, tenho muito medo do que ainda está por vir, caso eu não consiga um tratamento adequado.
Eu sinto muito por não estar escrevendo aqui como antes, e por esta nuvem cinza estar cobrindo toda a arte colorida que por mim sempre foi querida.
Espero que em breve eu consiga publicar algo mais feliz!
Até breve...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Já acabou?

O Amor não segura todas as ondas, né?
Tem quebrado nas costas
A força da água bonita
A correnteza da família
Lavando as certezas
Revelando miudezas
O Amor não cria raiz
Gotejando desencontros
Todo olhar e beijo esquecido
Quando dormir junto não esquenta
E acordar o dia sem o tocar da despedida aumenta
O Amor não tem sido forte
O restante nos engole
Líquido da desesperança
Agora temos essas contas
Famílias envolvidas e uma criança
Nada mais consola
O Amor está sumindo
E estamos muito cansados de tentar
É assim então, que se separa?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Depressão pós parto

Transformar lágrima em manteiga.
Passar no pão e engolir pedaços líquidos de mim.
Sinto um enorme vazio no peit. Tenho vontade de nao sentir mais nada.
Sinto que sentir nao me faz feliz.
E sinto muito
Sinto muito disto
Nem rubro o rosto.
Nem nego busto, quadril e sexo
Frustro.
Bruta.
Feito dona de casa velha descabelada
Tateio no escuro um pouco de parede fria. Nem tao fria.
Faz calor com todas as janelas fechadas.
Canso de mim.
Fiz arte. Me chamei de menina. Fiz alarde. Me chamei de universitária. Fiz saudade. Voltei pra cidadezinha. Fiz filho. Agora nao sei.
Dou teta.
Sei que mudar existe, são fases.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Desconfie do medo

"Não, nada disso
Só digo o que penso
Sinto que gosto
E que se fosse apunhalada, seria demais agora
Nessa altura do vôo
Não sei explicar...
Só temo e digo com um pouco de cansaço
Sobre aquilo que temo
Com expressão de paisagem
E mãos vazias.
Daquelas que levanta os braços
E deixa-os abertos por longo tempo
Esperando algo que talvez se mova até lá
Ou que incentive-me a mover
E então desaba braços
Forças
Expressões
E fica apenas o medo
De ser abandonada por um sentimento
Só meu
E desconfio que seja também seu
Mas de um modo só seu
Então, os medos se encontram
E um desconfia do medo do outro
E novamente, abrem os braços
Mas não sentem nada
Além do medo do abraço de medo
Então, desabam
Braços e medos
Acaba tudo.
O medo acaba inteiro
Abraçado no medo
Sorriem.
Quando me expresso sinto assim
Acaba tudo e começa logo o novo
Mas não me pré-ocupo
Pois ainda sinto o final de algo que nem sei direito o que era."
Carolina Bonando