terça-feira, 19 de julho de 2011

Três Picos

Estrada de terra. Tinha chovido há pouco tempo, ou era o frio que aquela serrinha fazia e deixava úmido o chão e tudo o que podia adentrar nas nuvens. De longe vi o cume, três pontas enfiadas em neblina branca. De perto uma casinha de madeira com uma mesa feita de árvore cortada ao meio, os banquinhos eram troncos. O banho quente fazia subir fumaça com o cheiro do meu sabonete líquido, ficava forte e aposto que de fora do banheiro podiam sentir o perfume. Duas garrafas de vinho tinto na mureta. Meu nariz vermelho. O som da queda leve de água atrás da casa, a vegetação verde, alguns buquês de flores naturais. Não tinha ninguém ali, só a natureza e eu. Tentando dormir na sala, com muito frio, me deu vontade de não mais voltar à vida da cidade. Por que não peguei minha mochila e fugi? Por que toda vez que fico longe das pessoas, resolvo tentar mais uma vez me aproximar? E por que toda vez que me aproximo, penso em não mais tentar?

10 comentários:

Paulo Tamburro disse...

Olá Carol,

é extremamente arriscado, e muito pouco produtivo, algumas análises de situações ou fatos dos quais nossos distanciamentos deles nos impede conhecer toda as suas intrincadas e complexas rede de conexões da realidade exposta.

Correndo o risco de emitir uma opinião pífia e de pouca consistência lógica, apelo neste instante para os meus alguns anos de estrada , as vezes esburacadas, outras de asfalto bem cuidado,seja em meio a temporais ou com sol aquecendo meu trajeto.

Portanto e antecipadamente, desculpe-me pela sentença, que talvez nenhum juiz menos irrsponsável do que eu, tivesse a coragem de ratificá-la.

Carol, estas incertezas no passado eram chamadas pelos nossos pais de vagotonia e hoje, estresse,pânico, depressão, ansiedade e bipolaridade,pois foram necessárias novas nomenclaturas para justificar um arsenal de medicamentos muitos caros e específicos para uma série de sintomas em nossos relacionamentos com esta sociedade contemporânea.

No entanto, da sua belissima postagem, eu diria que este personagem real ou ficticio, não está procurando nenhum lugar novo fora dele para lhe aplacar os desencantos e sim,tentar preencher seus vazios interiores e suas incômodas sensações inconscientes de perdas e incompletude.

Um abração carioca.

mfc disse...

São estas as nossas dualidades... as nossas contradições que tão bem nos caracterizam.

C Valente disse...

Bom fim de semana com saudações amigas

C Valente disse...

Bom fim de semana com saudações amigas

LATAN disse...

O bom mesmo é q podemos fugir de quando em vez,para encher d energia nosso espaço dividido, mesmo q seja apenas na mente é gostoso por d+ ter este tempo pra usufruir...

São disse...

Porque o ser humano é um infinito de contradições, meu bem...rrss

Abraços

Alexandra disse...

Belo este seu refúgio longe do quotidiano tantas vezes opressivo e devastador...compreensível esta sua busca de solidão e paz...é no silêncio da Natureza e na solidão que refrescamos a alma, mas tornamos sempre à azáfama que nos fere, mas que nos mantém vivos, apesar de tudo.

Um beijo.

Felicidade Clandestina. disse...

Porque a vida é isso, talvez seja um pouco desse ir e vir...

Deu pra imaginar todo esse cenario e todo o conforto de quando estamos em contato com nós mesmos.

Lindo

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog do São. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs

Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

C Valente disse...

Boa prosa
Saudações amigas