sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Gritos na gaveta

Fui fiel todos os anos da minha vida a todos os homens mais velhos que pude me relacionar. Aprendi coisas interessantíssimas com o sexo oposto, desde muito nova, como coisas do tipo... escolher um bom vinho para acompanhar o prato certo, futebol então nem se fale, domingos inteiros assistindo jogos e mais jogos. Homens seguros como o meu pai sempre foi.
Meu último relacionamento foi com um homem de 41 anos, há 5 anos atrás, quando tinha apenas 17 anos. Viajávamos os fins de semana, todos, sem exceção. Cada mês um presente novo, uma roupa, ou um acessório para as nossas fantasias sexuais. Nossa, e como éramos sexuais. Aquelas mãos enormes, cobriam minhas costas inteiras, a palma da mão segurava minhas nádegas, talvez como eu segurasse um bebê encostado no meu peito. Sua boca conseguia engolir meus seios de uma maneira tão segura, me olhando com seus olhinhos apertados próximo ao nariz. Eu ria muitas vezes, quando ficávamos nos olhando, fixamente, como dois apaixonados, e então eu reparava que seus olhos eram mais juntinhos do que o o resto das pessoas, e me parecia um pouco vesgo. Aha, ria mesmo, e então ele perguntava: O que foi, querida? E, prontamente eu o abraçava, abafando o riso em seu ombro e respondia: É que gosto muito de você, meu bem. Como podemos ser tão apaixonados? E sempre, sempre, começávamos o mesmo diálogo de que o nosso amor era muito grande, que em pouco tempo fizemos a nossa história ser a mais linda de todas as outras histórias de amor que poderíamos um dia viver. Ele sofreu um acidente de moto, e morreu!
Foi meu pai que me fortaleceu. Lembro que voltei para casa do meu pai, lá no sítio onde ele resolveu morar com sua nova namorada e os filhos dela. Ele abriu a porteira elétrica, lá da varanda, enquanto me olhava com os olhinhos lacrimejados de saudade. Corri até a porta de vidro na entrada da sala e ele estava lá, com chinelinhos gastos, arrastando mais do que a última vez que o tinha visto, meu pai me abraçou e disse: Filha, que saudade de você, baixinha. É assim que ele me chama, desde a adolescência, quando menstruei pela primeira vez, ele já sabia que não iria crescer mais e me sacaneou muito, porque sempre fui a menor da família e na escola. Ele vestia uma camiseta cinza, e uma bermuda branca. Chorei muito abraçada a ele, em frente à porta de vidro. Era inacreditável ter perdido um namorado velho, sendo tão nova, com tão pouco tempo de relacionamento. Mas, a vida é assim!
Depois do conforto do papai, voltei para a cidade grande resolver minhas pendências como as faltas no trabalho e resolvi esperar mais um pouco para começar a pós-graduação. Sei lá, conhecer gente nova, arrumar outro homem mais velho.
Foi aí, bem nesta última oração que percebi uma coisa... Era a falta do meu pai, que me fazia namorar tantos homens mais velhos. Porém, não é tão fácil parar um vício, mudar um cômodo assim de uma hora para outra. Naquele fim de semana de calor, sai com algumas amigas e, no meio da noitada, enrolada até o pescoço com a garrafa de Martini, destacou-se na multidão um homem mais velho, maduro como meu pai, e com olhos azuis. Eu, que nem gosto de homens com olhos claros... mas, dele eu gostei. Tentei uma, duas acho que até três vezes, me levantar da cadeira para ir até ele. Foi tarde demais, ele estava de mãos dadas com outra mulher. Mais velha que eu, mais arrumada que eu, linda! Linda! Ela era perfeitamente linda, de olhos azuis também, cabelos longos, cachos grandes, pretos tingidos, mas pretos. Corpo altamente recomendável para maiores de vinte e um anos. Foi quando ela olhou para mim e sorriu. Um sorriso mais largo, o mais largo do universo e percebi então que ela não estava mais interessada no homem que escolhi naquela noite. Segui meus olhos para ele, e sorri tão largo quanto ela. Levantei meu Martini e mirei em sua direção, como quem brinda com o vento pela manhã de sol, como quem brinda com o perfume das flores mais perfumadas que pode existir. Sorriso largo que saia de meu rosto, não contive o meu sorriso largo e a câimbra que me causou, depois de um minuto inteiro sorrindo largamente só para ele. O homem foi ficando desfocado, desfocado, e minha câimbra aumentando e ficando focada, focada. Focada a minha dor, e o homem mais velho desfocado entre minhas lágrimas que interromperam minha manifestação feminina do amor. Eu queria amar aquela noite, depois daqueles copos de Martini, eu queria amar naquela noite. Com o copo de Martini eu queria amar naquela noite. Eu queria amar naquela noite com aquele ser que estava agora caminhando em minha direção, sozinho, só para mim, e para minhas lágrimas de contentamento, para o meu sorriso a pessoa vinha só, e eu sorria cada vez mais larga, mais larga eu estava, cheia de tesão e amor para dar, para aquele ser que caminhava em minha direção rebolando seu corpo, imaginava já minhas mãos em seu tórax, e assim o fiz. Estiquei meu braço esquerdo e apalpei seu tórax próximo, tão próximo que pude enxergar os seios, em um vestido azul como seus olhos. E o seio apalpado tinha fios de cachos pretos tingidos, e seu perfume era da mais bela flor já imaginada deste mundo. Apalpei os seios daquela mulher que me queria amar, e tomar o copo de Martini de minhas mãos. Seus lábios macios, sedosos, ah, que tesão era beijar aquela pessoa. Eu queria amar aquele seio, amar aquele beijo, amar naquela noite, depois desse último copo de Martini.
Na manhã seguinte, acordei com uma mulher esplêndida na minha cama, me admirando e falando ao celular. Abri o mais largo sorriso da minha vida, e abracei suas pernas brancas, depiladas, sem pintas, sem marcas, só o cheiro de sua flor ainda tesuda, bem fudida como fiz na noite passada. Linda! Linda! Linda! Hum, linda! Fui para o chuveiro, ela veio atrás se encostando, estimulando meu sexo com suas mãos com unhas quadradas, as mãos frias, o rosto gelado, os lábios esfriando minha nuca no banho quente que eu tomava. Queria amar aquela mulher para sempre, sem Martini, sem noitada, sem homens mais velhos.
Quando terminei meu banho, após nosso sexo esplêndido, ao som do mar profundo, ela estava linda, deitada na minha cama, com a minha blusa de dormir. Nossos sorrisos largos se encontraram no ar mais perfumado da minha vida. Ela foi embora, deixou telefone, endereço, muitos beijos e muito mais que tesão. Eu queria amar aquela linda mulher para sempre.
Voltei os pensamentos para a pós-graduação e procurei na escrivaninha meus papéis com livros fichados, cópias de livros todo rabiscado e sublinhado de laranja. Foi quando um grito da gaveta saiu, penetrando meu corpo e minha alma. Eu era lésbica e não sabia!

Agora, além do comentário entre no link: http://www02.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0808291844156612&a=1&&

e faça o QUIZ, para saber se você me conhece. São 10 perguntas rápidas. BEIJO

30 comentários:

Sheltars disse...

Lindo.....Facinante...e simplesmente Mui Belo !!!

ZANATÓRIO disse...

Vc é lésbica?rs


Adorei...fiquei com tesão tbm!!! rs

Hélder disse...

Realmente esplêndido!Você mostra a complexidade e ao mesmo tempo a simplicidade da vida,mostrando a essência dela que nos é oferecida todos os momentos e que cabe a nós aproveitá los,de uma maneira muito fascinante.
Continue nessa jornada que talento você tem de sobra.

Kátia disse...

uau...nada além disso!

Puta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
D3 disse...

porra carol!!
fala serio!!!
n tenho palavras, simples e perfeito, por um momento misturei a fantasia com a realidade
sou seu fã sempre
e se puder apresenta essa muieh hehehe

juninho_rj disse...

Nelson Rodrigues 2008

HomemDigital disse...

Fantástico! A forma como você escreve o sentimento que você coloca no seu texto incrível. Seja feliz Baixinha rsrsrs bjs

Carol Bonando disse...

as pessoas são meio tontas as vezes neh, kkk... como é que pode achar que o escritor vive tudo o que escreve?Isso já foi polemica aqui, e aliás, é polemica demais para pouca gente! kkk
Enfim, espero que tenham gostado, mesmo sabendo que nao sou lesbica...
kkk
beijo

D3 disse...

esse eh exatamente o ponto ideal... a polemica q eh o maneiro dos seus txts, isso estiga a imaginaçao e cada um idealiza de sua forma, acho q o caminho eh esse, eh seu diferencial.
mete as caras
n precisa dizer se eh ou n eh lesbica, deixa a fantasia na kbça das pessoas, brinca com isso. ;)

na minha opinião neh hehehehe

bjunda

ociosoanônimoautorizado disse...

grito na gaveta que sai do armário!


vou marcar uma consulta lá na casa do mago contigo.

jeni disse...

UM TEXTO REALMENTE COMPLEXO, INTRIGANTE E PERFEITO, SUA CRIAÇÃO FOI ESPLÊNDIDA!
MUITO BOM!
VC TEM TALENTO HEIN.... AINDA BEM QUE É MINHA PRIMA RSRSRS!!!!
BEIJOS

paidaju disse...

Sensacional. Sabe que há muito tempo sou fã dos seus textos, mas esse ficou acima da sua média. Simplesmente fantástico.

Bejo

Milena Loureiro disse...

Vai brincando mesmo ... daqui a pouco você descobre que não é sair da gaveta, mas simplesmente descobrir que por trás das roupas simples, existe uma calça jeans interessante ....

É só você não criar em você mesma um preconceito e resolver seguir somente o que deseja!!

E o perigo é a ficção virar realidade!!

te adoro minha baixinha ahuauhauhauuhaahuhauahu beijos!

ociosoanônimoautorizado disse...

foi uma brincadeira com a expressão "sair do armário"

valeu pelos comentários. bom que a gente vai se conhecendo também pelas escritas.

violão é só marcar... lenine, vai ficar difícil. ahaha

beijo

ociosoanônimoautorizado disse...

e eu gosto de "estórias"

artes disse...

Carol,
Vi o texto semana passada...
Você me fez uma manhã de terça feira inquieta...
Belo texto!

vanessa disse...

Nossa adorei ..simplesmnete maravilhoso....facinante .....vc é muito talentosa mesmo...
por causa disso que te admiro cada dia mais .
bjos ...............t adoro muito ...........
vanessa.................

Peter disse...

Coitada e isso cura-se?

Nilson Barcelli disse...

Cara amiga, vc escreveu um excelente conto. Parabéns pela sua criatividade.
Gostei de regressar ao seu convívio, ainda que a falta de tempo me impeça de vir mais vezes visitá-la...
Beijinhos.

Carol Bonando disse...

kkk, nao Peter, isso não se cura... sabe pq? Pq homossexualismo não é uma doença... é uma filosofia de vida.
Bom, pode ser distúrbio psicológico? Pode ser trauma de infância mais filosofia de vida? Sei lá... não sei, realmente, não sei!!!
Espero que tenha gostado do conto... ;0)

E Nilson, meu querido, estamos sumidos, mas hora ou outra aparecemos por ai... saudade, volte sempre, sempre que posso apareço por aí, te visitar, te ler, te observar!

bjsss

Nilson Barcelli disse...

Cara amiga,
Fiz o seu QUIZ e fiquei a saber que apenas a conheço pela metade...
De qualquer modo não fiquei triste, porque apenas um sabe mais do que eu a seu respeito...
Lá não pergunta, mas eu sei que você é bonita. Por fora e, principalmente, por dentro...
Beijinhos.

brunharia1212 disse...

Ola Carol , sou um antigo fã seu , da época que vc tinha um fotolog. Vc sempre escreveu bem mas este texto vc se superou, lindo mesmo , do tipo que prende a atenção até de um moribundo de sono como eu . Parabens pelo texto e pela sua descoberta, seja muito feliz.
E eu continuarei aqui como fã seu (ainda mais agora que encontrei este seu blog) . Beijos
Alexandre (Barão)

Carol Bonando disse...

Oi Brunharia1212, nao me lembro de voce no fotolog, mas acho ótimo que tenha me encontrado e continue me admirando! MAIS QUE OBRIGADA!!!
Só nao entendi seu comentário de que descobri algo! O que eu descobri? Ou será que foi apenas a personagem da história e você confundiu tudo???
Enfim... volte em breve, terá outro bom texto para ler! Garanto!

Luana disse...

Carol, como já disse, você é surpreendentemente apaixonante. A estrutura do seu texto, sua criatividade e ousadia se encaixam perfeitamente.

Vc me surpreende com seus textos polêmicos...rs!

Sua maluca e eu adoro! eheheh

Fer Dobasi disse...

Porque vc sempre vai me lembrar uma vampirinha misteriosa e sedutora.. rs.. brinacdeira.. mas a saudade [e de verdade.. viu.. meu blog real é inatitude.wordpress.com, este que vc postou eu nunca entro, é só um repositorio de coisas..

Vivian Portela disse...

Oi Carol. Achei fantátisco! Esse texto é seu?

Sucesso.

Vivian Portela disse...

Poxa Carol, não tive a intenção de ofendê-la. Longe disso. É que é extremamente possivel publicar algo, sem conhecer o autor... srsrs

Gostei do seu blog.
Beijo grande.

Jonhy disse...

Tá na hora de vc escrever um livro, não acha ?

Só fiquei meio preocupado, pq tb amo martini...ahahaahah

Outro bejo...

Jonhy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.